A insana e autofágica destruição do nosso sistema de inteligência interna

KISSANGUELA – um espaço de partilha de conhecimento, verdades, instruções e ensinamentos divinos para uma vida condigna, próspera e abençoada KISSANGUELA Um projecto em prol de Angola, dos angolanos e rebanho de Cristo no mundo. 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Convinha, entretanto, esclarecer (para que não haja equívocos) que o erro (político e estratégico) não está na desmobilização em si, mas no facto de o poder político ter, numa altura em que pairava no ar a incerteza quanto ao dayafter dos “Acordos de Bicesse” e dos riscos extraordinários suscitados por algumas das clausulas do referido acordo, abdicado de milhares de homens e mulheres dos seus serviços de informação, que ele, governo angolano, considerava de “excedentário” e/ou descartável. E aqui importa esclarecer que nos cânones da inteligência ou segurança do Estado esta palavra não existe. Nenhum serviço de inteligência, mormente civil, terá alguma vez, em razão do espectro operacional a cobrir ou “atender”, funcionários operativos excedentários. Esse tipo de erro, ademais em nome de uma paz podre, é inconcebível em estratégia. E, quer queiramos quer não admitir, Jonas Savimbi e os estrategas da UNITA deram, na altura, aos estrategistas do governo, uma grande lição de estratégia. Embora numa perspectiva errada (a tomada do poder por vias alternativas às urnas), Jonas Savimbi mostrou como fazer a guerra de estratégia quando escondeu os seus trunfos: os milhares de operacionais afectos aos seus serviços de inteligência civil e militar, respectivamente da Brigada Nacional de Defesa do Estado (BRINDE) e Serviço de Inteligência Militar (SIMI), bem como da Brigada de Acção Técnica de Explosivos (BATE). A desmobilização apressurada e errática (política e estrategicamente falando) de milhares de oficiais operativos afectos às extintas Direcção Nacional de Contra-Inteligência Militar (DNCIM), Direcção de Contra-Inteligência Geral ou civil (DCIG) e Direcção de Inteligência Exterior (DIE) abriu, indubitavelmente, fissuras naquele que era considerado um dos mais fortes e confiáveis sistemas de inteligência e segurança do Estado em África. Como dizíamos, este erro estratégico não decorrera apenas do facto de o governo angolano ter abdicado de milhares de oficiais de inteligência, mas, principalmente, por se ter ignorado a condição de portadores de segredos de dezenas de milhares de operacionais e funcionários administrativos do extinto Ministério de Segurança do Estado (MINSE), muitos deles residindo, hoje, nos EUA, Europa e outros países do mundo. As pessoas que conduziram esse processo tinham a obrigação de saber (até porque eram assessoradas por pessoas influentes da nossa “securitate”) que falar de oficiais de inteligência não é o mesmo que falar de funcionários de um departamento ministerial civil ou funcionário de uma empresa pública, ainda que estratégica como a Sonangol, Endiama, etc. Falar de oficiais de inteligência é falar de portadores de segredos de Estado… Ou seja, de indivíduos detentores não só de uma série de expertise psicológica, técnica e operativo-secreta, mas também de segredos políticos, estratégicos e, inclusive, operacionais, em decorrência da sua participação numa série de missões, tarefas e acções de “baixa visibilidade” (atenção: baixa visibilidade não é sinónimo de “eliminação” indiscriminada de pessoas, mas de trabalho operativo-secreto) e trabalho com fontes (colaboradores secretos). Escuso será falar daqueles que em razão das suas tarefas técnico-operativas ao nível do trabalho de monitorização preventiva do espectro radioeléctrico  (oficial-operador de Rádio Contra-Inteligência) terão acidentalmente (o que é normal quando falamos de tecnologias de varredura do espectro radioeléctrico) interceptado conversas ímprobas e/ou “comprometedoras” de altos dirigentes do país e não só, informações que pelo seu cariz e teor constituem indubitavelmente segredos de Estado. Ao descurarem esse pormenor, as pessoas que estavam à frente do processo de desmantelamento do então Ministério de Segurança do Estado (MINSE) e da Direcção de Contra Inteligência Militar (DNCIM) criaram um gravíssimo problema securitário ao país; problema este que pessoas leigas em inteligência e segurança do Estado não conseguem enxergar. O problema é real e gravíssimo!…. Começamos a perceber a gravidade dos problemas derivados dessa medida intempestiva, inusitada e irreflectida tomada pelo governo angolano em 1991 ou 1992: a) Quando nos deparamos nas redes sociais com informações compartimentadas sobre a vida interna e operacional dos nossos serviços de inteligência; b) Quando (no passado recente) nos deparamos, em algumas plataformas digitais de informação, com supostas listas de funcionários e/ou colaboradores dos serviços angolanos de inteligência a actuarem além-fronteiras ou colocados nos Centros Legais, numa tentativa clara (a ser verdade, é claro) de queimá-los, prejudicá-los ou colocá-los num potencial risco de morte; c) Quando olhamos para as dificuldades com que se deparam muitos operacionais no activo para manterem no anonimato a sua identidade ou vínculo com o SINSE, quando no cumprimento de alguma missão ou tarefa secreta no interior das comunidades por si atendidas, já que nos dias que correm a probabilidade de um operacional do antigo SINFO (falamos do SINSE em razão do carácter secreto da identidade dos seus operacionais de campo, embora o SISM também disponha pessoal com esta característica) ser reconhecido por algum dos seus ex-colegas “renegados”, ser bastante grande. E isso não é de todo confortável para quem está no terreno. Apesar do profissionalismo, alto nível de comprometimento e empenho de muitos responsáveis e funcionários dos nossos serviços de inteligência para com os desígnios da segurança do Estado angolano, a verdade, porém, é que o nosso sistema de inteligência e segurança do Estado está longe da reputação, eficiência e excelência técnica, profissional e operacional do passado, fruto