
Adalberto Costa Júnior fora (e ainda é) tido por alguns círculos da sociedade angolense, vulgo “sociedade civil organizada”, como “um líder fraco e medroso” por não ter mergulhado o país numa nova guerra fratricida, e concomitante levado Angola ao exício (destruição total).
Para muitas dessas pessoas, Adalberto Costa Júnior fora um covarde. Este epíteto se tornou ainda mais audível quando Venâncio Mondlane, em Moçambique, sinalizou a sua intenção de ir até às últimas consequências nas suas reivindicações, em razão dos resultados supostamente fraudados das eleições gerais de 09 de Outubro de 2024.
Numa sociedade como a nossa, onde apenas as falhas das pessoas são enxergadas (até por olhos míopes), seria um gesto digno de registo nos anais da história se o MPLA e a sociedade angolense tivessem se dignado em aplaudir a atitude corajosa do líder da UNITA, o Engº Adalberto Costa Júnior, porque, a meu ver, não foi fácil para ele resistir a pressão que vinha de dentro e fora da UNITA, para mergulhar o país numa batalha campal contra o governo sufragado nas urnas.
Ao não ceder às pressões vindas de dentro e fora deste grande, histórico e importante partido que (a par do MPLA) é a UNITA, optando por não embarcar numa aventura trágica, que levaria não só precocemente à sepultura muitos dos melhores filhos e filhas deste país, mas que também voltaria a abrir feridas cicatrizadas no coração de milhares de angolanos, acentuando ainda mais a divisão, o radicalismo ideológico-partidário e a fractura de uma sociedade, como a nossa, já de per se bastante dividida e polarizada, Adalberto Costa Júnior demonstrou maturidade, sapiência e elevação política.
Um dia, ele, o Engº Adalberto Costa Júnior, olhará para trás, e perceberá que fizera a coisa certa.
Por não querer carregar nos ombros o peso de uma guerra inconsequente que se alastraria pelo país inteiro, e que, na certa, levaria muitos angolanos à morte (fui testemunha dos trágicos eventos ocorridos em 1992, aqui em Luanda, e posso dizer-lhes que aquilo que vimos foi tão horripilante quanto execrável), o Engº Adalberto Costa Júnior merece o nosso respeito e admiração.
Como político experiente e bem relacionado, dentro e fora do país, o Engº Adalberto Costa Júnior tem (no meu humilde entender) condições de fazer uma oposição inteligente e produtiva ao MPLA, sem necessariamente precisar de recorrer à confrontação armada.
Muitos dos que não lhe querem perdoar por (na óptica dos mesmos) não ter tido a coragem de Beltrano ou Sicrano, na verdade não sabem o que ponderação quer dizer. Ponderação não é sinónimo de fraqueza ou covardia, mas sim de emancipação, sabedoria e racionalidade.
Independentemente do Engº Adalberto Costa Júnior vir ou não a ser presidente de Angola (esta mensagem serve também para o Dr. Abel Chivukuvuku, General Kamalata Numa, Engº António Venâncio e muitos outros bons filhos deste país, militando nas estruturas da MPLA, UNITA, FNLA, PRS, PHA, PRA JA – Servir Angola, FLEC, etc), o seu papel e contribuição serão sempre imprescindíveis para pormos este comboio descarrilado, que se chama Angola, nos seus trilhos, e em condições de se locomover de forma segura e perene.
Bem-haja, Engº Adalberto Costa Júnior!…