
O modo intrépido e sempre solícito como os vulgos activistas sociais se envolvem em questões e/ou eventos de índole político-partidário, em detrimento de questões sociais e assazmente relevantes para o desenvolvimento do país e bem-estar dos angolanos (com a excepção de dois ou três, temos muitas dúvidas que os outros que assim se intitulam sejam de facto activistas sociais[1]), é preocupante.
Para além de destoar com a missão e papel de um verdadeiro activista social, o que se passa em Angola descredibiliza totalmente esta nobre actividade cívico-social aos olhos daqueles angolanos que sabem reflectir e analisar as coisas.
Se fossem realmente activistas sociais e não activistas políticos – pessoas que à socapa trabalham em prol de uma agenda política encoberta –, há muito que teriam reagido ao Projecto Estratégico para a Melhoria Integral da Qualidade de Vida dos Angolanos (PEMIQVA). O vosso silêncio é resultado do vosso viés político-partidário dissimulado.
Todavia, no vosso seio há pessoas boas; pessoas de bem, que só pecam pelo seu silêncio… por causa da sua conivência e/ou conveniência política.
E como dissera Martin Luther King, o pastor baptista e activista social norte-americano que deu literalmente a sua vida em prol da luta contra a discriminação racial nos Estados Unidos, “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.
É repulsivo ver jovens autodenominados de activistas sociais fazerem lives sem novidades na sua temática, conteúdo e propósito (só sabem reclamar e acusar. sugerir caminhos… nada!), postarem panfletos ou subirem vídeos nas redes sociais que destoam com o papel de um verdadeiro activista social, tudo isso em nome não de Angola e dos angolanos, mas de partidos políticos.
Quando um activista é mobilizado para causas político-partidárias ou usado para fins eleitoralistas, mas faz vista grossa (silêncio) a soluções apolíticas, pacificas e práticas para a resolução dos problemas de Angola e dos angolanos (problemas estes que supostamente estarão na génese do seu activismo e luta anti-regime), este não é um verdadeiro activista social. É, isso sim, um activista político travestido de activista social.
Em 1963, Martin Luther King conseguiu que mais de 200.000 pessoas marchassem pelo fim da segregação racial em Washington. Um feito histórico.
Dessas manifestações nasceram a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.
Em Angola, os activistas sociais (com a excepção de um ou outro) só sabem mandar bwé de bocas no Youtube, rádios privadas e plataformas digitais de partilha de informação.
Outros, os mais radicais, só sabem instigar os incautos para marcharem rumo ao Palácio Presidencial para deporem um presidente eleito, se esquecendo que é pela via das urnas que se deve perspectivar a alternância política (ou de regime) e não pela sublevação. Assim não vamos longe!…
Mudem de postura ou assumam claramente a vossa filiação político-partidária.
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[1] Tirando Luaty Beirão, e mais um ou dois, está difícil encontrar, hoje em dia, um activista social digno desse nome. Na sua grande maioria são activistas políticos, travestidos (como já dissemos) de activistas sociais.