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Dom José Manuel Imbamba não está equivocado, e muito menos errado!... Todos nós, angolanos, temos a nossa quota-parte de culpa pela situação em que o país se encontra

Apesar do escarcéu que assistimos nas hostes da Igreja Católica pela admissão pública, por Sua Excelência Reverendíssima Dom Manuel Imbamba, da sua quota-parte de culpa pela situação em que o país se encontra (que Deus o abençoe pela sua sinceridade e gesto de humildade), não há nenhum equívoco nas suas palavras.

De facto, com a excepção das crianças e adolescentes imberbes, todos nós, angolanos, em pleno uso das nossas faculdades cívicas e mentais, temos (com maior ou menor grau de culpabilidade) a nossa quota-parte de culpa pela situação em que o país se encontra.

Embora o Presidente João Lourenço tenha uma fracção maior de culpa pela situação que o país está a atravessar, pelo facto de ser o Titular do Poder Executivo e Presidente da República, é um acto de desonestidade e sinal inequívoco de ausência de conversão pensar que só o Presidente João Lourenço, os partidos políticos, a elite política e religiosa, bem como aqueles que depauperaram (e continuam a depauperar) os recursos naturais e erário público do país têm culpa pelo estado em que Angola se encontra.

Olhando para alguns dos comentários postados no Facebook e outras plataformas digitais em reacção às palavras do Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), percebe-se claramente o equívoco de muitos jovens quanto ao conceito de culpabilidade e inocência.

Caríssimo irmão angolano, se conscientize desta verdade axiomática: todos nós temos a nossa quota-parte de culpa na bagunça em que o país se encontra.

Uns pela sua omissão, outros por se renderem ao establishement, outros ainda por serem fanfarrões mediáticos (mandam “bwé” de bocas nas rádios, redes sociais e Youtube, mas nada de valor tangível trazem para Angola e os angolanos), ou (referimo-nos principalmente aos jovens angolanos) por gastarem o seu tempo no Facebook, Isntagram, etc,  procurando por posts sensacionalistas (mormente aqueles orientados à devassa da vida alheia) quando deviam promover discussões construtivas sobre as formas de solucionar os seus problemas por via do pensamento lógico ou engenho intelectual.

Outros, de igual modo, por não se dignarem orar pelo Presidente da República, como se isso fosse algo que o Presidente João Lourenço e a sua família não merecessem (as igrejas têm que rever o seu trabalho evangelístico).

Aqueles políticos, jornalistas e demais fazedores de opinião que vinham a público ou faziam memes críticos ao estilo governativo do Presidente João Lourenço sempre que este exonerasse algum membro do seu Executivo que na sua óptica não correspondia com aquilo que se esperava dele, também devem fazer a sua mea-culpa, pois, foram vocês que com as vossas críticas absurdas dissuadiram o Presidente João Lourenço a ser complacente com aqueles que não trabalhavam.

Você que defendia teses insanas em favor daqueles que se tinham locupletado de milhões de dólares retirados ilegalmente do erário público, colocando-os em paraísos fiscais, também deve fazer a sua mea-culpa.

Sim, Dom Manuel Imbamba tem razão ao admitir a sua quota-parte de culpa pela situação em que se encontra o país… Deixem de criticá-lo pela sua honestidade!…

Com um substrato populacional constituído grosso modo por cidadãos não emancipados ou evoluídos cívica, patriótica, religiosa e politicamente, oportunistas, desprovidos de senso de justiça, honra e dignidade, hipócritas, interesseiros, desonestos, egoístas, injustos, “boqueiros” (fanfarrões), fanáticos (política e religiosamente falando), ademais covardes, Angola não podia estar de outra forma.

Que cada um de nós, angolanos, faça uma introspecção conscienciosa do seu posicionamento e atitude para com Angola e os angolanos, e deixe de ser esquivo, retórico e acusatório.

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