
Toda a denúncia pública ou anónima, feita com o intuito de moralizar a sociedade ou ajudar os órgãos competentes do Estado a identificar e responsabilizar os autores morais (mandantes) e materiais (executores) de crimes contra a vida de pessoas que não constituíam uma ameaça para a segurança do Estado angolano (políticos, jornalistas, influencers, activistas, etc) ou segurança pública (cidadãos não envolvidos em crimes dolosos contra a vida de pessoas inocentes), é bem-vinda.
O que não é bem-vindo é o julgamento das pessoas com base na presunção ou boatos postos tacitamente a circular por indivíduos desejosos (por vingança) de causar dano à honra ou assassinar o carácter das pessoas.
O assassínio tácito do carácter de “pessoas indesejáveis” ou que se quer a todo o custo atingir por despeito, mágoa, inveja ou motivação política é uma realidade presente na sociedade angolense, ainda que emascarada numa pérfida cortina de fumo espesso e perfumado.
Por alguma razão que o tempo se encarregará de esclarecer, há, neste país, duas pessoas que se tornaram alvos intriga, calúnia, difamação e vilipêndio, visando atingir elas próprias ou pessoas próximas a si. Estamos a falar da Primeira Dama da República (Dra. Ana Dias de Lourenço) e do General Fernando Garcia Miala.
Sobre as cíclicas e (em alguns casos) sub-reptícias investidas ao bom nome e honra da Primeira Dama da República falaremos nos artigos que se seguem, já que hoje vamos apenas falar da campanha sutil em curso contra a pessoa do General Miala visando execrá-lo e torná-lo numa pessoa moralmente inelegível ao cadeirão máximo da República, caso venha a ter a pretensão de no futuro próximo ou distante concorrer ao cargo de presidente da República.
Não sabemos se o General Miala tem ou não a pretensão de um dia vir a candidatar-se ao cargo de presidente da República como cabeça de lista do MPLA ou (na eventualidade de voltarmos à primeira forma) candidato independente, mas de uma coisa temos certeza: dificilmente terá êxito nesta hipotética pretensão se não limpar o seu bom nome e honra maculada pela calúnia e difamação sistemática, com enfoque nos eventos que de forma brusca, brutal e pérfida levarão à morte prematura do ilustre professor e político Mfulupinga N´lando Víctor, na noite do dia 3 de Julho de 2004, no bairro do Cassenda.
O nome do General Miala é a miúde associado a este hediondo evento não por ter se encontrado no lugar e hora errada no bairro Cassenda, mas (nossa opinião pessoal) por ter tentado promover a imagem do Presidente José Eduardo dos Santos quando (se a memória não nos atraiçoa) ter aos microfones da Rádio Nacional de Angola ter trazido a público e em directo a informação de que se encontrava nas proximidades do Cassenda e que o Presidente José Eduardo dos Santos lhe tinha pedido para transmitir a equipa médica que iria cuidar do professor Mfulupinga N´lando Víctor para de tudo fazerem para salvarem a sua vida.
A pergunta que muita gente continua até aos dias de hoje a fazer é: o que estava, afinal, àquela hora, o General Miala a fazer nos arredores do Cassenda?!…
Bom… a pergunta é um tanto quanto esquisita (para não dizermos absurda), mas ainda assim digna de resposta.
Ao contrário do que muita gente pensa, a presença do General Miala naquele local e hora nada tem de anacrónico ou suspeito. E porquê?!… Por o General Miala ter durante muito tempo vivido no bairro do Cassenda e, muito provavelmente, parte de sua família continuar a residir no referido bairro.
Qualquer pessoa minimamente racional inferiria rápida e facilmente que o General Miala seria uma das últimas pessoas a quem a suspeita pela morte do professor Mfulupinga N´lando Víctor devia recair, a não ser que alguém o considere um oficial de inteligência desprovido de expertise técnica e inteligência.
Acham mesmo que o General Miala iria (como dizem as mais línguas) mandar matar o Engº Mfulupimga N´Lando Victor exactamente no mesmo dia em que (segundo se diz à boca pequena) fora muito contudente, directo e frontal nas suas abordagens e críticas ao regime e, particularmente, ao Presidente José Eduardo dos Santos, e ainda vir a público dizer que se encontrava nas imediações do local da ocorrência quando recebeu a comunicação do ocorrido?!…
Nenhuma pessoa experimentada em inteligência que estivesse envolvida neste hediondo acto de eliminação criminosa, injusta e injustificável de uma figura da dimensão do professor Mfulupinga N´lando Víctor cometeria tal erro, a não ser que calculistamente pretendesse criar um estado de opinião e comentários contra a pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos, ou criar uma névoa de suspeição em torno da pessoa que na altura era tida como “o chefe da secreta angolana” – o General Miala.
Crimes hediondos, com possível motivação política, realizados calculistamente com a intenção macular a imagem ou assassinar o carácter de adversários são susceptíveis de ocorrer em qualquer país do mundo, principalmente em países como o nosso desprovido de um sistema de segurança e judiciário idóneo, funcional e fiável.
Em países como o nosso, onde as jurisdições, autoridade e competências operacionais e investigativas não estão estratificadas de acordo com a especificidade, natureza e características do crime, ou claramente delimitadas, ademais com muita gente “poderosa” e inimputável com (pelo menos em teoria) poder discricionário para tomar decisões de índole operacional ou agir à revelia da lei, a probabilidade de ocorrerem assassinatos de false flag é bastante grande.
Até que se reestruture o sistema de segurança nacional e sistema judiciário do país (daí a nossa patriótica e construtiva contribuição em prol da reorganização e optimização estrutural e funcional do nosso sistema nacional de segurança), eventos como os que levaram o Engº Mfulupinga N´lando Víctor, Cassule, Camulingue, Laurindo Vieira e outros prematuramente à morte continuarão, infelizmente, a ocorrer no país, e a enlamear (injustamente) o bom nome dos serviços de segurança e de seus responsáveis e funcionários.
A inteligência é um misto de ciência e arte. Por isso… não se apressem a tirar conclusões, a julgar ou a denegrir a imagem, a honra e o bom nome das pessoas, baseados em boatos e rumores!…
Aprendam a ver as coisas também numa perspectiva alógica, e não apenas lógica. Na inteligência, algumas vezes o A é B e o B é A, noutras nem tanto, e em alguns casos nem uma coisa, nem outra.
É altura, se realmente queremos nos reconciliar uns com os outros e pacificar o país, de pararmos com as perseguições sem fundamento, intrigas, calúnias, insinuações e assassínio de carácter das pessoas que temos como adversários ou de quem não gostamos.
É altura, a não ser que alguém possa provar o contrário, de acabar com esta reiterada e sistemática campanha de difamação da pessoa do General Miala.
Se o General Miala fosse (como se tem tentado insinuar) um assassino, de certeza absoluta que entes de interesse e relevância operacional em razão do seu vínculo com o SIMI e a BRINDE, estamos a falar do Dr. Abel Epalanga Chivukuvuku, General Huambo e outros altos quadros dos serviços de inteligência da UNITA ao tempo do Dr. Jonas Malheiro Savimbi teriam sido assassinados por ordem do General Miala, não o professor Mfulupinga N´lando Víctor, uma pessoa que em tese não podia (na altura) ser considerado uma pessoa de interesse para os serviços de inteligência ou segurança do Estado angolano em razão de um eventual vínculo com a BRINDE ou SIMI.
Façamos justiça aos mortos (quem perfidamente matou Mfulupinga N´lando Víctor não sairá impune da justiça divina), mas sem promovermos a calúnia e desonra de pessoas inocentes.