
Ainda na senda da justiça que nos propusemos advogar em nome dos valores cristãos (justiça esta que é devida àquelas pessoas que sacrificaram suas vidas em prol dos desígnios da defesa da integridade territorial e/ou segurança do Estado angolano), é com profunda emoção que vamos falar de uma pessoa que V. Excia conhece bem, e que sempre lhe fora leal. Estamos a falar do camarada Silva da C. J[1].
O camarada Silva fora afastado das suas funções e serviço por um acto que (sendo verdade) não podia deixar de ser punido. Mas, Excelência… afastamento sem a possibilidade de retorno, não é um castigo draconiano… desmedido?!… Perdoem-nos a sinceridade e franqueza.
Durante muito tempo fomos uma das pessoas que não entendia a forma pouco ortodoxa como o Presidente José Eduardo dos Santos lidava com a questão das pessoas que exonerava e que eram tidas por alguns círculos do nosso jornalismo doméstico como caídas em desgraça.
“O Presidente José Eduardo dos Santos exonera e depois volta a nomear as pessoas exoneradas, tudo farinha do mesmo saco… ele não sabe o que faz”, diziam as pessoas inconformadas com a nomeação para outros cargos de pessoas que outrora tinham sido afastadas do Executivo.
Pois é… tempos mais tarde conseguimos finalmente compreender a pedagogia subjacente na forma como o Presidente José Eduardo dos Santos lidava com a questão de ministros, vice-ministros, governadores e outros responsáveis por si exonerados.
É que ao exonera-los, o Presidente José Eduardo dos Santos tinha em mente a sua reeducação, não a condenação e castigo perene dos mesmos, daí voltar a dar o seu voto de confiança aos mesmos nomeando-os para cargos importantes como a de governador, embaixador, ministro, vice-ministro, etc.
O Presidente José Eduardo dos Santos não deixava aqueles que lhe tinham sido leais ad aeternum no deserto.
Com o camarada Silva, uma pessoa que, como dissemos, e V, Excia sabe que não estamos a mentir, sempre lhe fora leal, isso não está a acontecer.
Ele (o Cda Silva) não somente foi (como fora V. Excia) humilhado, mas também está a ser morto, coisa que o Presidente José Eduardo dos Santos não deixou que acontecesse com V. Excia.
Algum tempo depois de afastado coercivamente das suas funções e desvinculado do órgão em que servia, o camarada Silva foi acometido por um AVC. Pela graça de Deus está recuperado e em pleno gozo das suas faculdades físicas e cognitivas, pelo que pedimos encarecidamente à V. Excia, Cda General Miala, que faça aquilo que aos olhos de Deus é o certo: contacte o Cda Silva (visita-o ou manda-o chamar) e, como um homem que preza a justiça, assegure o seu retorno às estruturas em que serviu e deu o melhor de si em prol da defesa e segurança do Estado angolano.
Somos cristãos, e é nessa humilde qualidade de cristãos e servos de Deus que estamos a nos dirigir à V. Excia, uma pessoa oriunda de uma família tradicionalmente cristã, convictos que os diferentes pedidos aqui apresentados não deixarão de merecer a devida atenção da parte de V. Excia, para honra e glória do santo nome do Senhor nosso e seu Deus.
Fazer bem a quem merece, estando em nossas mãos a capacidade de fazê-lo, não é apenas um gesto nobre. É, acima de tudo, um acto de justiça. E Deus premeia os justos.
A não ser que V. Excia nos diga e prove o contrário, o Cda Silva é, indubitavelmente, uma das pessoas que merece que V. Excia e/ou o Estado angolano lhe façam o bem; bem este que, diga-se de passagem, V. Excia tem o poder e a capacidade de com um simples despacho assegurar, fazendo justiça a um homem que deu tudo de si em prol deste país.
Que Deus abençoe rica e abundantemente V. Excia e a sua casa.
Observação: talvez, nesta altura, V. Excia não consiga vislumbrar a bênção subjacente nas mensagens, conselhos e apelos que lhe foram aqui entregues, mas um dia, sim um dia, se Deus lhe proporcionar tal graça, perceberá V. Excia o quão abençoado fostes por ter-lhe sido dada esta mensagem.
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[1] Sabemos que não se abrevia o último nome, mas ainda assim fizemo-lo para preservar a sua identidade.