
Continuação do artigo anterior.
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Assim diz o SENHOR: é injustiça, egoísmo, arbitrariedade e insensibilidade contínua e impúdica que vê quando atenta para o consulado de V. Excia;
Apesar de não ser V. Excia o autor material destes actos abomináveis aos olhos de Deus, eles lhe serão imputados pelo SENHOR pela omissão de V. Excia no combate aos mesmos.
É injustiça que vê quando atenta para o sofrimento de crianças e adolescentes desamparados e sem abrigo, deixados a mercê de predadores sexuais e da intempérie;
É injustiça e ignominia que vê quando atenta para governantes, ricos e poderosos se refastelando com as melhores iguarias, enquanto o pobre definha e recorre aos contentores de lixo para se alimentar;
É injustiça que vê sempre que uma criança, adolescente, jovem ou adulto morre por inanição (fome) ou falta de assistência médica e medicamentosa célere e adequada em unidades hospitalares públicas;
É injustiça e vil desumanidade que vê quando atenta para a forma descuidada, não humanizada e humilhante como são tratados muitos pacientes nos hospitais públicos;
É injustiça que vê sempre que o direito de uma viúva ou órfão menor de um funcionário público, militar, polícia ou ex-militar falecido é pervertido, pela insensibilidade daqueles que deviam cumprir com zelo e humanismo as suas funções, garantindo a eles a devida pensão em tempo útil.
É injustiça que vê quando atenta para a forma humilhante como muitas viúvas, órfãos e outros dependentes de militares, polícias e ex-militares falecidos são tratados em órgãos castrenses de protecção social;
É injustiça que vê sempre que uma viúva e órfão são humilhados em instituições castrenses de segurança social, esperando uma eternidade (anos) para serem inseridos nas folhas de pagamento das referidas instituições, sofrendo descontos arbitrários e desumanos, chegando muitos deles a morrerem sem nunca receberem o que lhes era devido por direito, enquanto os que assim agem se embriagam com o vinho da sua perversidade e injustiça contra órfãos e viúvas desamparados;
É injustiça que vê sempre que uma viúva é expulsa de casa e/ou expropriada dos bens que o marido deixou, sem que a justeza do acto seja aferida e a justiça feita.
É injustiça que vê sempre que um adolescente ou jovem indefeso perpetrador de um delito leve é estuprado em estabelecimentos prisionais do país;
É injustiça que vê sempre que um pensionista de idade e/ou com a mobilidade reduzida pela idade ou doença incapacitante, é exposto à humilhação de ser carregado por parentes como se de saco de mercadoria se tratasse, só para fazer a sua prova de vida; prova de vida esta que havendo amor e respeito para com os doentes, fracos e vulneráveis podia muito bem ser feita por brigadas autos em suas próprias casas;
É injustiça que vê quando atenta para a vida desgraçada de crianças e adolescentes forçadas pela fome e/ou pobreza a se prostituírem;
É injustiça que vê quando uma zungueira na luta pelo sustento dos seus filhos lhe é recebida os parcos bens que comercializa, espancada, perseguida e muitas das vezes morta pela acção directa ou indirecta dos fiscais, enquanto igrejas barulhentas (também elas em contravenção com a lei) são protegidas. Aquela que luta pela sobrevivência é perseguida, atropelada, espancada e morta, mas o que com lábia e engano veio roubar é protegido;
É injustiça que vê quando homens que se tornaram abastados de dia para a noite, por via do roubo e fraude, se sentam à mesa com os seus filhos e netos, e, orgulhosos por terem dinheiro e fartura, os incentivam a se empanturrarem, se esquecendo que fora dos seus domínios glamorosos há milhares de crianças duramente fustigadas pela fome e inanição;
É injustiça que vê quando diferentemente de outros cidadãos estrangeiros de tom da pele mais clara, cidadãos africanos de tez escura são assediados e extorquidos por quem devia fazer cumprir a lei com imparcialidade (Deus não faz acepção de pessoas, Actos 10:34).
É injustiça que vê quando atenta para a forma tendenciosa e “não cega” como o sistema judiciário julga querelas opondo ricos e poderosos contra fracos, pobres e vulneráveis, pendendo na maioria das vezes para o lado do prevaricador, pervertendo, assim, o direito do espoliado e injustiçado. Lembrai-vos do que vos fora requerido: “não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça (Levítico 19:15). “Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; porquanto o suborno cega os olhos dos sábios e subverte a causa dos justos (Deuteronómio 16:19)”.
É opróbrio que vê quando atenta no modo desrespeitoso e ultrajante como os corpos de pessoas comuns falecidas são expostas, acondicionadas e tratadas (atiradas, empilhadas – como de mercadoria se tratassem – em câmaras de refrigeração obsoletas, e “higienizados” ao ar livre, de forma precária e não condigna) em algumas das morgues do país, principalmente nos de Luanda, ante o silêncio e olhar esquivo de quem deveria dar um basta a esse tipo de coisas;
É aberração que vê quando atenta na forma pouco ortodoxa e digna como as pessoas se comportam nos cemitérios do país, principalmente de Luanda;
Enfim… um rol de prevaricações que a seu tempo serão punidas, pois, “Quem semeia a injustiça colhe a maldade; o castigo da sua arrogância será completo (Provérbios 22:8)”.
Contudo, diferentemente de Balsazar, o Senhor não lhe quer tirar a vida, mas somente chamar-lhe à razão e abençoá-lo.
Como um pai que ama o seu filho, o Senhor exorta V. Excia a fazer uma introspecção quanto à justeza das decisões que tomou (ou pretende tomar) em relação ao direito dos órfãos, viúvas, reformados das forças armadas, etc; se arrepender das decisões erráticas que tomou, inclusive no que a sua crença e fé diz respeito, voltar para o Deus dos seus país, infância e adolescência, promover a justiça e pugnar com todas as suas forças pelo direito do pobre, do fraco, do desvalido e de todos aqueles que se virem usurpados dos seus direitos.
Continua no próximo artigo…