Cap. 1 – A manifestação do abominável MALIGNUS

Caros irmãos e irmãs em Cristo!…
Que a graça e paz do Deus Todo-Poderoso chegue até vós, em toda a sua plenitude e poder, pela intermediação do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Esta saudação é extensiva aos ateus, apóstatas, judeus, islamistas, budistas, hinduístas, espíritas e a todos aqueles que por este mundo afora comungam de outras fés e valores que não aqueles que eu comungo: a fé e valores cristãos.
Meus amados…
Eu chamo-me Aldmiro António, sou um ex-pastor e um eterno servo-ungido do SENHOR[1].
Sobre o meu chamado divino[2] e afastamento injusto e arbitrário do sacerdócio falaremos mais tarde, por ora, importa que nos foquemos apenas neste importante, impactante e aferível testemunho que, pela vontade de Deus (só agora entendi isso), vem a público com um atraso de mais de 30 anos.
Embora seja um ungido do SENHOR, é na minha abjecta qualidade de homem pecador e inelegível (com base nos padrões humanos) para as missões que Deus nos atribuíra (falaremos delas oportunamente), que eu gostaria de me apresentar e ser conhecido, principalmente por aqueles que, como eu, comungam da fé, ensinamentos e valores cristãos: um homem pecador que encontrou misericórdia da parte de Deus-Pai, e redenção em Cristo Jesus, e que pela graça e misericórdia de Deus tem o privilégio imerecido[8] de ser um dos arautos do seu amor, bondade e misericórdia.
Como dizem as Escrituras (Romanos 11:33-34), “Os juízos do Senhor são insondáveis, e os seus caminhos inescrutáveis. Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos?”.
Como dizia, hoje tenho a honra e a oportunidade de, finalmente, dar o meu testemunho de livramento divino, e concomitantemente acerca da graça, bondade e misericórdia de Deus. Agradeço a Deus por me ter proporcionado esta oportunidade.
Caros irmãos…
Ser alvo de perseguição e conspiração, fora, desde muito cedo uma realidade na minha vida; uma realidade que perdura até aos dias de hoje.
O que eu não sabia na altura (sei-o agora) é que Deus sempre esteve presente em minha vida, a proteger-me dos perigos ocultos e mal que me circundavam. Eu era um bem-aventurado e não sabia. Era (e continuo a ser) um bem-aventurado porque, mesmo não o merecendo, o amor, a bondade e a misericórdia de Deus sempre me acompanharam.
Foi assim na minha infância, adolescência, vida militar (na frente-leste, província do Moxico, vivenciei, ainda adolescente, alguns fenómenos sobrenaturais que vou partilhar convosco) e ao longo de toda a minha vida passada e presente. A sombra do Altíssimo sempre me acompanhou, cobriu e protegeu.
Como disse, eu não sabia o quão bem-aventurado eu era, até ao dia em que de uma forma brutal, inesperada e dramática, me vi no meio de um evento sobrenatural que quase me custou a vida. Se não fosse Deus, de certeza absoluta que há muito que eu teria partido deste mundo… do mundo dos vivos, para o mundo dos mortos.
É sobre este evento tão aterrorizador quanto transformador ocorrido no bairro do Golfe, aqui em Luanda, capital de Angola, que no âmbito da minha missão testemunhal eu quero falar, para honra e glória do santo nome do Senhor meu Deus, e, por via disso, cumprir com a promessa que há aproximadamente 33 anos fiz a Deus, de trazer ao conhecimento do mundo os eventos sobrenaturais que vivenciei, bem como dar testemunho, diante dos homens, acerca do seu amor, bondade e misericórdia.
Eu merecia morrer, mas, ainda assim, o SENHOR através dos seus santos anjos veio em meu socorro.
…///…
O dia nascera ensolarado, quente e promissor.
Uma importante prova do Curso de Telecomunicações e Electrónica estava agendada para as 14h00 daquele dia, 03 de Março de 1993, no Instituto Nacional de Telecomunicações (ITEL) – a prova escrita na disciplina de Electrónica Digital, ministrada, na altura, pelo professor Zaidila[3].
À semelhança da Electrónica Analógica, a Electrónica Digital era (e continua, muito provavelmente, a sê-lo) uma das disciplinas nucleares do curso médio em telecomunicações e electrónica no Instituto Nacional de Telecomunicações, instituição de ensino onde, à data dos factos que estão a ser aqui narrados, frequentava a 10ª classe, ou seja, o 2º ano do Ensino Médio Técnico-Profissional, na Turma T2:
No dia anterior, 02 de Março de 1993, tinha com alguma relutância informado o meu pai (um antigo e experimentado enfermeiro de profissão) de que me encontrava a braços com uma gonorreia e que precisava da sua ajuda, pois, ao contrário da primeira experiência que tivera com esta DTS (doença sexualmente transmissível), desta vez a automedicação simplesmente não estava a funcionar.
Foi bastante constrangedor para mim ter que dizer ao meu pai que há três dias me tinha envolvido sexualmente com uma jovem, e que em razão deste contacto sexual apanhara um “esquentamento”, mas, por estar cônscio da potencial gravidade da doença (se não for tratada a tempo a gonorreia pode lesar os órgãos reprodutivos e causar infertilidade tanto em homens como em mulheres), tive que me abrir com o meu pai.
No dia seguinte, lá por volta das 12 horas, contactei o meu pai para começarmos com o tratamento, já que nos abeirávamos da hora de ir à escola.
Enquanto me preparava, vi de relance o meu pai a esterilizar algumas seringas de vidro e agulhas em uma panela no velho fogão a gás que resistia o passar do tempo.
Minutos depois, ouvi o meu pai a chamar-me.
A lembrança daquele dia nunca irá desvanecer-se na minha memória. Lembro-me perfeitamente da roupa que eu trajava naquele dia: calças pretas e camisa xadrezada de mangas compridas.
Com o apertar das horas (como dissera, a prova de electrónica digital estava marcada para as 14 horas, logo estava ficando sem tempo), o meu pai optou por aplicar-me a injecção de penicilina procaína em pé.
Com um pedaço de algodão embebido em álcool isopropílico, o meu pai desinfectou a área em que iria aplicar a injecção, e, imediatamente, mas de forma lenta e cuidadosa, foi injectando o medicamento em um dos glúteos.
A dor fora quase imperceptível, mas algo chamou imediatamente a minha atenção e percepção de que estava em perigo. E, então, exclamei com ênfase: “pai, pára!!…”.
Antes de continuar com este extenso, mas edificante testemunho, gostava de esclarecer que a paixão pelos livros marcara desde muito cedo o meu percurso de vida.
Faço parte de uma geração que foi ensinada a cultivar o salutar hábito de leitura, portanto, quando ocorreram os eventos traumáticos despoletados com aquela injecção, eu já sabia o que era alucinação.
O que eu não sabia era que a bruxaria e a presença de espíritos malignos no nosso mundo eram eventos reais.
É consabido que alguns medicamentos, entre eles antibióticos, podem despoletar uma crise alucinógena, mas, hoje, depois de passar pela experiência aterrorizante e traumática que passei, posso, por via desta experiência e conhecimento que mais tarde adquiri enquanto pastor, assegurar-vos que muitas das explicações dadas pela ciência e medicina para fenómenos psíquicos, psicológicos e parapsicológicos, na verdade não passam de “cortina de fumo”, uma forma de encobrimento inconsciente, pela classe científica e/ou médica (como a parapsicologia, psicologia, psiquiatria, etc) da presença do Mal, sobretudo da bruxaria, no mundo em que vivemos.
Quando olhamos para um doente mental, vulgo maluco, a primeira coisa que nos passa pela cabeça é que aquele homem (ou mulher) padece de uma doença do foro psiquiátrico, o que pode ser uma conclusão assertiva como equivocada.
Há muita gente “maluca” por acção das trevas. E é sobre as trevas e a sua actuação sutil na vida das pessoas que não têm Deus, que iremos falar nos parágrafos que se seguem.
No momento em que gritei “pai, pára!!…”, imediatamente o meu pai parou com a aplicação da injecção de penicilina procaína, e olhou interrogativamente para mim como se perguntando: “o que se passa?!…”.
O que se passava é que no momento em que o meu pai injectou a primeira fracção de penicilina procaína em meu corpo, uma sensação de que eu estava em um corpo que não era o meu, se apossou de mim. Tive a percepção de que algo de muito grave e perigoso estava a acontecer comigo naquele exacto momento.
Disse ao meu pai que ao contrário do que era expectável, não sentia o medicamento a entrar em meu corpo. Dizer ao meu pai que “não sentia o medicamento a entrar em meu corpo” fora apenas uma forma de explicar o que não conseguia exprimir por palavras, pois, na verdade, não sabia explicar com clareza o que estava a acontecer comigo naquele momento.
E foi então que tudo começou: um ciclo interminável de convulsões vigorosas – convulsões pouco peculiares que mais pareciam derivadas de choques eléctricos, pois os braços saiam da sua posição de repouso vertical e vinham embater furiosamente sobre o meu peito, regressavam para a sua posição inicial e voltavam, vezes sem conta, novamente, a embater descontroladamente sobre o meu peito –, secundadas pela percepção interior de estalos e ruídos no interior do meu cérebro.
Na sala havia um velho sofá de cor bege claro onde o meu pai me fez sentar, enquanto mandava o meu irmão pegar um jarro com água.
Sentado no velho sofá, procurava, atónito, tentar em vão entender o que estava a acontecer.
O meu irmão retornou pouco depois com um jarro ou balde com água que imediatamente o meu pai despejou sobre a minha cabeça.
Foi então que o inesperado aconteceu.
No exacto momento em que a água que o meu pai derramara sobre a minha cabeça escorria para o chão cimentado da sala em que nos encontrávamos, aos meus olhos hipnotizados (pois mais ninguém via o que eu via) ela se transformou em sangue… sangue jorrando abundante e torrencialmente da minha cabeça, enquanto o barulho de coisas a se desconjuntarem dentro da minha cabeça se tornavam cada vez mais audível e assustador.
Lembro-me de perceber mentalmente que alguém me estava a dizer zombeteiramente: “dentro de alguns dias vão te colocar em um caixão, cavarão um buraco, te colocarão dentro dele, te cobrirão com terra e você desaparecerá para sempre”.
Embora não professasse a fé católica , fiz naquele instante o sinal católico da cruz, ou seja, benzei-me, ao mesmo tempo que fui tomado por uma súbita e profunda tristeza por saber que tinha um futuro promissor na vida (era jovem, estudante, capitão afecto a um dos órgãos castrenses tutelados, na altura, pela Presidência da República), futuro promissor este que, de repente, simplesmente se esfumaria.
[1] Só os que realmente foram selados com o Espírito Santo saberão o que “eterno servo-ungido do SENHOR” quer dizer.
[2] antes de ser convidado a integrar o ministério pastoral na Igreja Universal do Reino de Deus já o chamado divino ecoava no meu espírito
[3] O professor Zaidila era um Engenheiro de nacionalidade congolesa que à semelhança do seu conterrâneo, o professor Muanza, que leccionava a disciplina de Electrónica Analógica, tinha a responsabilidade de nos introduzir nos meandros da ciência electrónica.