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Fé & Religião

A Bíblia Sagrada – Uma espada de duplo corte em suas mãos

Por Aldmiro António · 01 de Outubro de 2026
A Bíblia Sagrada – Uma espada de duplo corte em suas mãos

A Bíblia Sagrada é o livro mais importante e venerado pela maioria dos cristãos. E para mim que humildemente vos falo, não podia ser diferente.

Desde a minha conversão, verdadeira e irreversível, a Cristo, em 03 de Março de 1993 (a não ser que ocorra uma hecatombe, um estado de desvairo muito grande, coisa que, em razão de um evento sobrenatural ocorrido em minha vida[1], duvido que venha a ocorrer), que fui tomado por um sentimento invulgar de profundo afecto, respeito e reverência pela Bíblia Sagrada, ao ponto de ficar “irritado” comigo mesmo, sempre que ela acidentalmente caísse ao chão, ou um rato, mosca ou outro vector de sujeira tocasse ou passasse por ela.

Quantas não foram as vezes que quase cheguei a proferir um palavrão involuntário, sempre que um rato, mosca ou barata se abeirava ou lograsse tocar na minha humilde Thompson?!…

Este sentimento, que continuou a fazer-se presente no meu âmago mesmo após a minha queda, queda esta ocorrida meses depois do meu afastamento injusto e arbitrário do sacerdócio na IURD (injusto por não ter pecado, faltado com o respeito devido ao líder “espiritual” ou a qualquer outra pessoa, fornicado ou subtraído algum valor da igreja, ou feito coisa alguma que justificasse esta medida arbitrária[2], perdura até aos dias de hoje.

Nos vinte anos em que vivi aprisionado no pecado, por via de relações amorosas pecaminosas, a presença da Bíblia Sagrada sempre me inibiu, ao ponto de não conseguir envolver-me com ninguém, com ela presente no meu quarto.

Sempre tive a percepção que envolver-me pecaminosamente com alguém na presença da Bíblia Sagrada, era uma ofensa a Deus, maior do que aquela que eu estava a expressar com os actos pecaminosos que (em razão da minha condição espiritual) vinha praticando, de forma contínua.   

Este pequeno intróito foi para te dizer, meu caro irmão e cara irmã em Cristo, que a Bíblia é para mim um livro sagrado, orientador e digno de reverência.

A Bíblia Sagrada é o livro que toda a pessoa sábia deveria ter em casa e, principalmente, em mãos. E talvez seja por isso que ela é o tipo de livro que, preferencialmente, eu gosto ou me sinto impelido a dar às pessoas de presente.

Mas, e se eu te disser (preciso dizê-lo) que apesar da sua importância ímpar e relevância para o nosso despertamento, conversão e salvação, ela, a Bíblia, não é o “Livro de Deus”?!…

Se estou a falar à toa ou com a intenção deliberada de te desviar da verdade (a verdade santa e imutável de Deus), então, que as mãos do Altíssimo caiam sobre mim, com todo o vigor, e a sua ira me consuma, para que eu sirva de exemplo.

Mas, não… eu sei do que estou a falar: a Bíblia Sagrada que conhecemos não é o “livro de Deus”!… Ela (Bíblia Sagrada) contém (em meio a outros escritos considerados canónicos) a Palavra pura, santa e imutável de Deus, mas… não é o livro de Deus.

E para te ajudar a entender este aparente paradoxo, vamos te propor o seguinte exemplo: pense em uma garrafa com água em que se adicionou um punhado de sal.

Apesar de constituir uma mistura homogénea, a água continua a ser água e o sal, sal. Entretanto, por via da destilação (processo de dessalinização que separa os sais da água através da evaporação e condensação), nós podemos voltar a separar ambos os elementos e identificá-los separadamente.

O mesmo acontece com a Bíblia. Os escritos que a compõem (muitos deles tidos como divinamente inspirados, daí serem considerados de “livros canónicos”) constituem a água do exemplo anterior, enquanto as profecias transmitidas aos profetas, as mensagens trazidas por Gabriel e outros anjos mensageiros, os 10 mandamentos, os ensinamentos do Nosso Senhor Jesus Cristo e as visões sobrenaturais de proveniência divina que encontramos no Antigo Testamento, Evangelhos, Actos dos Apóstolos e Livro do Apocalipse, constituem o sal descrito no exemplo que vimos descrevendo, ou seja, a Palavra genuína de Deus.

O que estamos a tentar explicar?!… Que ao contrário do que muita gente pensa, a Bíblia não é o livro de Deus. Muita gente se escandaliza ao ouvir isso, mas se elas tivessem o Espírito Santo facilmente perceberiam isso.

Como vínhamos dizendo, a Bíblia contém a Palavra de Deus, mas ela não pode ser vista como o “Livro de Deus”, pois ao fazê-lo, você, sem saber, estará endossando a tese propalada por muitos ateus e satanistas, por este mundo afora, de que “o Deus da Bíblia é um Deus sanguinário, cruel e desprovido do senso de justiça”, o que não corresponde a verdade.

E é exactamente isso que, de forma deturpada, o capítulo 7 do Livro de Josué nos mostra (leia-o e você entenderá o que estamos aqui a dizer).

De facto, o Livro de Josué, no seu capítulo 7, contém um dos registos mais deturpados, perturbadores e perigosos de todo o Antigo Testamento, não só pelos danos reputacionais causados ao santo nome do Senhor (para quem não sabe, reputação é a opinião pública, colectiva ou senso comum que se tem acerca do bom nome, dignidade ou credibilidade de alguém), mas também por se ter constituído, ao longo dos séculos, num dos principais veículos de promoção do ateísmo no mundo.

Ou seja, é nele (capítulo 7 do Livro de Josué) que se respaldam os ateus e todos aqueles que duvidam do amor e justiça de Deus.

É por esta e outras razões que você tem necessariamente (para o seu próprio bem) de entender esta verdade irrebatível: que a Bíblia Sagrada não é no seu todo o Livro ou Palavra de Deus.

Por não ser (entre aspas) um livro no estrito sentido do termo, mas um conjunto de livros e escritos com várias autorias e proveniência (muitos deles com autores fictícios, já que com a excepção de um ou outro escrito com a autoria declarada, ninguém sabe com absoluta certeza quem foram os seus autores, daí ter-se convencionado a autoria de alguns destes escritos), ela, a Bíblia[3] Sagrada, não está imune, ou seja, isenta, a deturpações, equívocos, contradições e até mesmo inverdades acerca de Deus.

A par da cegueira espiritual imposta por satanás aos incrédulos, pois como diz a Bíblia, “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo”, 2 Coríntios 4:4, estes e outros equívocos, inverdades e deturpações presentes na Bíblia Sagrada contribuíram grandemente para o elevado número de ateus que existe actualmente no mundo, e que acreditam, piamente, que estão certos na sua posição negativista em relação à existência de Deus, ou em relação ao seu amor, bondade e justiça.

Não sendo a Bíblia Sagrada um livro estritamente divino (o capítulo 7 do Livro de Josué e outras passagens presentes em alguns outros livros do Antigo Testamento provam isso), a sua leitura deve ser feita com discernimento, um dom espiritual que todos aqueles que verdadeiramente têm o Espírito Santo habitando neles, possuem.

Já mesmo para concluir…

Há livros considerados apócrifos, por supostamente não terem sido inspirados por Deus (muitos destes livros integram a Bíblia Sagrada católica), que são, na verdade, livros de grande riqueza espiritual e bastante inspiradores.

Você devia lê-los e tirar as suas próprias ilações, já que a decisão acerca dos livros que deviam ou não integrar a Bíblia Sagrada fora do homem, muitos deles hereges e pecadores, não de Deus (leia sobre o Concílio de Roma, ocorrido em 382, e Concílio de Trento, ocorrido em 1546).

Quando você entender pelo seu racional espiritual que a Bíblia não é o “livro de Deus”, ou seja, um livro cujo conteúdo se pode na íntegra considerar como provindo de Deus, você terá dado um passo gigantesco e importantíssimo no sentido da sua libertação espiritual, pois como Ele (o SENHOR) mesmo diz, “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Portanto, sempre que te debruçares sobre a Bíblia para lê-la, tenta lembrar-te e reflectir na mensagem subjacente neste famoso provérbio: “À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Ou seja, para um escrito (capítulo ou versículo) ser considerado “Palavra de Deus”, não basta ele estar contido na Bíblia Sagrada. Ele tem, necessariamente, que ter a chancela, ou seja, marca ou selo, de Deus.

E a única forma de você conseguir identificar a presença ou ausência desta chancela divina que, diga-se de passagem, é “invisível” a olhos nus, é através do Espírito Santo.  

A propósito, você sabia mesmo o que é a Bíblia?!… Você sabia que para além da Bíblia Sagrada que conhecemos há outras bíblias, inclusive uma declaradamente satânica?!…

Se você não sabia, muito provavelmente você é mais uma das muitas pessoas neste mundo cuja crença e “fé” não tem sustentação, por estarem fundamentados em ensinamentos falseados e/ou erróneos sobre Deus.

Que Deus vos abençoe a todos!…


[1] Quando (para honra e glória do santo nome do SENHOR) der o meu testemunho, explicarei do porquê desta afirmação.

[2] No momento oportuno falaremos deste e doutros eventos por haver neles informações e ilações espirituais a serem retiradas e absolvidas. Tenho a certeza absoluta que elas vos irão ajudar a entender os desígnios de Deus, edificar e fortalecer a vossa fé em Deus.

[3] O termo “bíblia” provém do grego e significa “livros”, ou seja, uma colecção ou conjunto de livros.

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